O Calendário Litúrgico Maronita

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O ano litúrgico maronita é um dos ciclos de oração cristã mais antigos observados de forma contínua. Começa no início de novembro, com o Domingo da Consagração da Igreja, percorre seis tempos e termina no fim de outubro com o Tempo da Gloriosa Cruz. Cada semana do ano está ligada a um desses tempos. Não existe "Tempo Comum". Cada domingo tem um nome próprio e um Evangelho próprio, e o arco do ano é, do começo ao fim, a narrativa da salvação, do anúncio da Encarnação ao triunfo da Cruz.

Este artigo traz uma visão completa: os seis tempos, os domingos nomeados dos ciclos do Advento e da Quaresma, as principais festas com suas datas, as regras de jejum da tradição maronita e as maneiras como o ano maronita difere do calendário romano ao qual a maioria dos católicos está acostumada.

Os seis tempos do ano

O ano maronita tem seis tempos, cada um nomeado pelo mistério de Cristo que celebra. Os nomes ecoam a herança siríaca da Igreja de Antioquia: Denho, "o alvorecer", para a Epifania; Sawmo, "o jejum", para a Quaresma.

1. O Tempo do Glorioso Nascimento

Do primeiro domingo de novembro a 5 de janeiro. O Advento maronita. Diferente do Advento romano, de quatro domingos, a preparação maronita para o Natal se estende por oito domingos nomeados, conduzindo a assembleia pelas profecias, pelas anunciações e pela genealogia de Cristo. Sua tônica é de expectativa, não de penitência.

2. O Tempo da Gloriosa Epifania (Denho)

De 6 de janeiro até o início da Quaresma (duração variável). Denho, siríaco para "alvorecer", é a manifestação de Cristo, sobretudo em seu batismo no Jordão. O tempo abre-se com a Festa da Gloriosa Epifania em 6 de janeiro e continua pelos domingos após a Epifania. Termina com os Três Domingos de Comemoração (dos sacerdotes, dos justos e dos fiéis defuntos), que são o prelúdio maronita à Quaresma.

3. O Tempo da Grande Quaresma

Do Domingo de Caná à Semana da Paixão. A Quaresma maronita não começa na Quarta-feira de Cinzas. Começa no Domingo de Caná, o domingo em que se comemora as bodas de Caná, e as cinzas são distribuídas no dia seguinte, a Segunda-feira de Cinzas. Seis domingos nomeados conduzem a assembleia pelos grandes Evangelhos da cura e da conversão. O tempo culmina na Semana da Paixão, do Domingo do Hosana ao Sábado da Luz.

4. O Tempo da Gloriosa Ressurreição

Do Domingo de Páscoa a Pentecostes (cinquenta dias). A Pascoal maronita. A Páscoa cai na mesma data do calendário romano, não na data juliana ortodoxa. O tempo inclui o Novo Domingo, os domingos das aparições do Ressuscitado e a Ascensão na quinta-feira, quarenta dias após a Páscoa.

5. O Tempo do Pentecostes

Do Domingo de Pentecostes até meados de setembro. O tempo do Espírito, um longo verão de domingos sobre a missão da Igreja e a vida da comunidade cristã. Muitos dos grandes santos libaneses têm suas festas nesse período: São Pedro e São Paulo em 29 de junho, São Charbel no terceiro domingo de julho.

6. O Tempo da Gloriosa Cruz

De 14 de setembro até o fim de outubro. O tempo se abre com a Exaltação da Gloriosa Cruz em 14 de setembro, que no calendário maronita comemora também o achado da Cruz por Santa Helena. Seus domingos meditam sobre a Cruz como ponte da morte para a vida e sobre a Igreja como corpo ressuscitado com Cristo pela Cruz.

Os domingos nomeados do ciclo do Glorioso Nascimento

O Advento maronita percorre oito domingos e conduz a assembleia, semana após semana, pela pré-história evangélica da Encarnação.

  1. Domingo da Consagração da Igreja
  2. Domingo da Renovação da Igreja
  3. Domingo do Anúncio a Zacarias
  4. Domingo do Anúncio à Virgem Maria
  5. Domingo da Visitação de Maria a Isabel
  6. Domingo do Nascimento de João Batista
  7. Domingo da Revelação a José
  8. Domingo da Genealogia de Jesus

Em alguns anos, o Domingo da Renovação é omitido, dependendo de onde cai o dia 1º de novembro. O último domingo, o Domingo da Genealogia, é imediatamente seguido pelo Natal.

Os domingos nomeados da Grande Quaresma

Cada domingo da Quaresma está ligado a um Evangelho de cura ou misericórdia. A sequência, de Caná ao Hosana.

  1. Domingo de Caná (as bodas de Caná, entrada na Quaresma)
  2. Domingo do Leproso (a cura do homem purificado)
  3. Domingo da Mulher Hemorrágica
  4. Domingo do Filho Pródigo
  5. Domingo do Paralítico
  6. Domingo de Bartimeu, o Cego
  7. Domingo do Hosana (Domingo de Ramos, a entrada em Jerusalém)

A Semana da Paixão segue o Domingo do Hosana e culmina no Sábado da Luz, nome maronita do Sábado Santo. As fontes divergem levemente quanto ao Filho Pródigo cair no terceiro ou no quarto domingo; a Eparquia de São Maron do Brooklyn o coloca no terceiro.

As principais festas

Festas fixas e móveis celebradas universalmente na Igreja Maronita. As datas indicadas são as observadas no calendário maronita; quando o calendário romano difere, isso é indicado.

Festa Data Nota
Natividade do Senhor25 de dezembroDia santo de guarda
Gloriosa Epifania (Denho)6 de janeiroDia santo de guarda
São Maron9 de fevereiroFeriado nacional no Líbano
Santa Rafqa23 de marçoDia de sua morte, 1914
Anunciação de Maria25 de marçoFesta católica universal
Domingo do HosanaMóvel (Domingo de Ramos)Abre a Semana da Paixão
A Gloriosa RessurreiçãoMóvel (Páscoa)Mesma data da Páscoa romana
Nossa Senhora do LíbanoPrimeiro domingo de maioInstituída pelo Patriarca Howayek, 1908
Ascensão do Senhor40 dias após a PáscoaDia santo de guarda
Pentecostes50 dias após a Páscoa 
São Pedro e São Paulo29 de junho (com frequência transferida para o domingo mais próximo) 
São Charbel MakhloufTerceiro domingo de julho (maronita); 24 de julho (romano)Ambas as datas são observadas
Assunção de Maria15 de agostoDia santo de guarda
Beato Estephan Nehme30 de agostoBeatificado em 2010
Exaltação da Gloriosa Cruz14 de setembroAbre o Tempo da Cruz
Todos os Santos1º de novembroDia santo de guarda
Imaculada Conceição8 de dezembroDia santo de guarda
São Nimatullah Al-Hardini14 de dezembroDia de sua morte, 1858

Regras de jejum

A Igreja Maronita preserva uma tradição de jejum mais exigente do que a maioria dos católicos de rito latino conhece, embora a prática moderna tenha adaptado a disciplina antiga à vida contemporânea. Os quatro jejuns tradicionais são a Grande Quaresma, o Jejum dos Apóstolos, o Jejum da Assunção e o Jejum do Natal.

Grande Quaresma. O jejum principal. Tradicionalmente, abstinência diária de carne e de laticínios, com jejum completo da meia-noite ao meio-dia nos dias úteis. Prática contemporânea na maioria das eparquias: jejum da meia-noite ao meio-dia nos dias úteis da Quaresma, com abstinência de carne e laticínios nas sextas-feiras da Quaresma e em toda a primeira e última semanas. A Segunda-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa são observadas como jejum estrito e abstinência.

Jejum dos Apóstolos. Tradicionalmente, um jejum mais longo que leva à festa de São Pedro e São Paulo. Reduzido pelo Sínodo Maronita de 1736 a quatro dias, de 25 a 28 de junho. Pouco observado hoje fora das comunidades monásticas.

Jejum da Assunção. Oito dias de abstinência, de 7 a 14 de agosto, em preparação para a festa de 15 de agosto. Ainda observado por muitas famílias maronitas.

Jejum do Natal. Doze dias de abstinência, de 13 a 24 de dezembro, preparando para a Natividade. A maioria dos maronitas hoje observa apenas a vigília, mas a prática mais antiga ainda é mantida pelos devotos.

Sextas-feiras. A abstinência de carne é observada em todas as sextas-feiras do ano, não apenas nas sextas da Quaresma.

Como o calendário maronita difere do romano

Um resumo das diferenças mais claras.

O ano começa em novembro. O primeiro domingo de novembro é o Domingo da Consagração da Igreja, não o primeiro domingo do Advento.

Seis tempos, não o padrão Advento/Natal/Quaresma/Páscoa/Comum. Cada semana está ligada a um tempo. O Tempo Comum não existe como categoria.

Os tempos são narrativos e cristológicos. Glorioso Nascimento, Gloriosa Epifania, Grande Quaresma, Gloriosa Ressurreição, Pentecostes, Gloriosa Cruz.

Segunda-feira de Cinzas, não Quarta-feira de Cinzas. Porque a Quaresma começa no Domingo de Caná.

Domingos nomeados. Cada domingo tem um nome próprio, ligado a um mistério ou a uma cura evangélica, não simplesmente "Domingo do Tempo Comum".

Três Domingos de Comemoração antes da Quaresma. Sacerdotes, justos e fiéis defuntos. Herança siríaca compartilhada com a Igreja Ortodoxa Siríaca.

Santos siríacos no calendário. Santo Efrém, o Sírio, São Jacó de Serugh e os santos libaneses (Maron, Charbel, Rafqa, Nimatullah, Estephan).

A Páscoa é na mesma data. Cálculo gregoriano, não juliano. A Páscoa maronita nunca cai em data diferente da Páscoa romana.

Usar o calendário para a oração diária

O calendário maronita não é apenas uma lista de datas. É uma forma para o ano. Uma família que rezar dentro dele percorrerá, semana a semana, toda a história da salvação: as profecias do Advento, o batismo no Jordão, as curas da Quaresma, a Ressurreição, a descida do Espírito, a Cruz. Cada tempo tem sua própria música, suas próprias orações, sua própria cor na memória. Um dos presentes da tradição maronita a quem a adota é este: o ano se torna direção espiritual, e os dias de uma vida comum se ajustam a um ritmo mais antigo do que quase tudo no Cristianismo.

Perguntas frequentes

Quando começa o ano litúrgico maronita?

No primeiro domingo de novembro, com o Domingo da Consagração da Igreja. Esse é o início do Tempo do Glorioso Nascimento, a preparação maronita para o Natal, que atravessa oito domingos nomeados até a Natividade em 25 de dezembro.

Quantos tempos há no calendário litúrgico maronita?

Seis: o Glorioso Nascimento, a Gloriosa Epifania (Denho), a Grande Quaresma, a Gloriosa Ressurreição, o Pentecostes e a Gloriosa Cruz. Cada semana do ano está ligada a um deles; não há Tempo Comum no rito maronita.

Quando é a festa de São Charbel?

No calendário maronita, a festa de São Charbel é no terceiro domingo de julho. No calendário romano universal, é em 24 de julho. Ambas as datas são observadas pelas paróquias maronitas em todo o mundo, sendo a celebração dominical a principal.

Quando é a Páscoa maronita?

A Páscoa maronita cai na mesma data da Páscoa católica romana. Ambas seguem o cálculo gregoriano: o primeiro domingo após a primeira lua cheia do equinócio de primavera do hemisfério norte. Essa data é diferente da Páscoa dos ortodoxos bizantinos, que usam o calendário juliano.

O que é a Segunda-feira de Cinzas?

A Segunda-feira de Cinzas é o equivalente maronita da Quarta-feira de Cinzas. A Grande Quaresma no rito maronita começa no Domingo de Caná, e as cinzas são distribuídas no dia seguinte, a Segunda-feira das Cinzas. Abre os seis domingos da Quaresma, que terminam no Domingo do Hosana e na Semana da Paixão.

O que é o Tempo de Denho?

Denho é a palavra siríaca para "alvorecer" ou "nascer do sol". O Tempo de Denho é o tempo maronita da Epifania, que começa em 6 de janeiro e vai até o início da Grande Quaresma. Celebra a manifestação de Cristo, sobretudo em seu batismo no Jordão, que na tradição antioquena é o principal evento da Epifania.

Quais são os Três Domingos de Comemoração?

São os três domingos imediatamente antes da Grande Quaresma, próprios da tradição siríaca. Os calendários maronita e siríaco ortodoxo os observam: o Domingo dos Sacerdotes (por sacerdotes e bispos falecidos), o Domingo dos Justos (pelos santos ancestrais da Antiga Aliança) e o Domingo dos Fiéis Defuntos.

O calendário maronita é igual ao calendário romano?

Não. O ano é estruturado em seis tempos narrativos, e não no padrão romano de Advento/Natal/Quaresma/Páscoa/Comum. O ano litúrgico começa em novembro. A Quaresma começa no Domingo de Caná, não na Quarta-feira de Cinzas. Cada domingo tem nome próprio. O calendário inclui santos siríacos e libaneses, a maioria dos quais não está no calendário romano. Mas a Páscoa cai na mesma data que a do calendário romano.

Veja também: A tradição maronita. O Cristianismo Oriental. São Maron. São Charbel. O Rosário Maronita. Nossa Senhora do Líbano.

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