Santa Rafqa

Primeiros anos

Boutrossieh Ar-Rayes nasceu em 29 de junho de 1832, na vila de Himlaya, no distrito de Metn, no Monte Líbano. Sua mãe faleceu quando ela tinha apenas sete anos, e seu pai voltou a se casar. Apesar das dificuldades da infância, a jovem Boutrossieh cultivou uma fé profunda e constante.

Aos 14 anos, começou a trabalhar como empregada doméstica para se sustentar, mas seu coração já estava voltado para a vida religiosa. Sua madrasta e um tio queriam, cada um, que ela se casasse, mas ela sentia o chamado para consagrar a vida a Deus.

Vocação religiosa

Em 1853, aos 21 anos, Boutrossieh ingressou na Ordem Mariana da Imaculada Conceição, em Bikfaya, onde recebeu o nome de Anissa (Inês). Trabalhou como professora em várias vilas do Líbano nos sete anos seguintes, sendo conhecida por sua gentileza e dedicação aos alunos.

Quando sua congregação religiosa foi dissolvida em 1871, ingressou na Ordem Libanesa de Santo Antônio de Pádua (Ordem Baladita) e recebeu o nome de Rafqa (Rebeca). Fez sua profissão perpétua no Mosteiro de São Simão El Qarn, em Aito, no norte do Líbano.

Sofrimento e graça

Em 1885, durante a festa do Santíssimo Rosário, Rafqa rezou uma oração notável: pediu a Deus que lhe permitisse participar dos sofrimentos de Cristo. Sua oração foi atendida. Logo passou a sofrer intensas dores de cabeça e, em pouco tempo, perdeu a visão do olho direito durante um doloroso e malsucedido procedimento médico.

Nos anos seguintes, perdeu gradualmente a visão do olho esquerdo, ficando totalmente cega. Também sofreu com o deslocamento de ossos e paralisia parcial. Apesar dessas aflições, que se prolongaram por 29 anos até sua morte, Rafqa nunca se queixou. Continuou a rezar, a realizar trabalhos manuais pelo tato e a irradiar uma paz e uma alegria que impressionavam todos os que a conheciam.

"Pedi a Deus o sofrimento, e Ele me concedeu. Não lhe pedirei que o retire. Que se faça a Sua vontade, não a minha."

Morte e legado

Santa Rafqa faleceu em 23 de março de 1914, aos 81 anos, no Mosteiro de São José em Jrabta, no norte do Líbano. Havia suportado seu sofrimento por quase três décadas, com paciência extraordinária e confiança em Deus.

Após sua morte, muitos milagres foram atribuídos à sua intercessão. Foi beatificada pelo Papa João Paulo II em 17 de novembro de 1985 e canonizada em 10 de junho de 2001, tornando-se a primeira mulher maronita a ser canonizada.

Sua festa é celebrada em 23 de março. Seus restos mortais são venerados no Mosteiro de São José em Jrabta, que segue atraindo peregrinos do Líbano e do mundo todo. No Brasil, especialmente entre a comunidade libanesa de São Paulo e do Rio de Janeiro, sua devoção é bem viva.

A vida de Santa Rafqa nos ensina que o sofrimento, quando oferecido a Deus com amor e confiança, torna-se caminho de santidade. Sua paciência, humildade e fé inabalável continuam a inspirar todos os que enfrentam provações.

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