Padre Pio

Por cinquenta anos, um frade capuchinho numa remota vila de montanha na Itália carregou chagas abertas nas mãos, nos pés e no lado. Médicos as examinaram, céticos as descartaram e o Vaticano as investigou por décadas. Padre Pio nunca pediu nada daquilo.

O que ele queria era ouvir confissões, celebrar a Missa e sofrer em silêncio pelas almas que lhe eram confiadas. Ainda assim, as multidões vieram, atraídas por relatos dos estigmas, de um homem visto em dois lugares ao mesmo tempo, de orações atendidas de maneiras que ninguém conseguia explicar. Quando morreu, em 1968, San Giovanni Rotondo havia se tornado um dos santuários mais visitados do mundo católico.

Sua vida é um estudo de contradições. Um monge oculto que se tornou mundialmente famoso. Um homem de paz profunda que suportou dor física constante. E, através de tudo isso, um único conselho firme que o sobreviveu: reze, espere e não se preocupe.

Primeiros anos em Pietrelcina

Ele nasceu Francesco Forgione em 25 de maio de 1887, em Pietrelcina, uma pequena vila agrícola da região da Campânia, no sul da Itália. Seus pais, Grazio e Maria Giuseppa, eram pobres meeiros, profundamente devotos, que rezavam o terço todas as noites e guardavam os dias de festa com cuidado. Francesco recebeu o nome em homenagem a São Francisco de Assis.

Desde a infância, ele foi atraído pela oração e relatou experiências espirituais incomuns, incluindo visões e, por sua própria conta, encontros tanto com o céu quanto com as forças que a ele se opõem. Era um menino doente, muitas vezes enfermo, mas seu desejo pela vida religiosa nunca vacilou. Seu pai emigrou para a América para ganhar o dinheiro necessário para custear a educação do filho, um sacrifício que tornou possível o caminho de Francesco.

Aos quinze anos, em 6 de janeiro de 1903, ele entrou para os frades capuchinhos em Morcone e tomou o nome religioso de Pio, forma italiana de Pio. Seguiram-se anos de estudo e frequentes enfermidades. Em 10 de agosto de 1910, aos vinte e três anos, foi ordenado sacerdote.

Os estigmas

Padre Pio teve marcas de chagas temporárias já em 1910, mas o evento que definiria sua vida veio oito anos depois. Em 20 de setembro de 1918, enquanto rezava no coro após a Missa no convento de San Giovanni Rotondo, ele teve a visão de uma figura ferida. Quando ela terminou, suas mãos, seus pés e seu lado traziam as chagas sangrentas da crucificação de Cristo.

Os estigmas permaneceram visíveis pelos cinquenta anos seguintes. As chagas sangravam, exalavam o que testemunhas descreviam como um perfume de flores e lhe causavam dor contínua. Ele usava luvas sem dedos para cobrir as mãos e raramente falava do que carregava.

"Reze, espere e não se preocupe. A preocupação é inútil. Deus é misericordioso e ouvirá a sua oração."

Investigação e desconfiança

O prodígio que o cercava atraiu escrutínio. Médicos foram enviados para examinar as chagas, e suas conclusões foram inconclusivas, incapazes de explicar uma causa natural. O Vaticano, cauteloso quanto à fraude e ao fervor que crescia ao seu redor, abriu investigações que se estenderam pelos anos 1920 e além.

Por anos, Padre Pio viveu sob restrições. Em diversos momentos, foi-lhe proibido celebrar a Missa pública, ouvir confissões ou corresponder-se livremente. Ele aceitou cada limitação por obediência, sem nunca protestar nem se defender. Só mais tarde a Igreja levantou as restrições e permitiu que seu ministério florescesse. Sua disposição de ser silenciado sem se queixar tornou-se, para muitos, mais uma prova de sua santidade.

Os fenômenos relatados

Os estigmas foram apenas o começo do que as pessoas relatavam sobre Padre Pio. Numerosas testemunhas confiáveis, ao longo de décadas, afirmaram tê-lo visto ou falado com ele em lugares aos quais ele nunca havia viajado fisicamente, um fenômeno conhecido como bilocação. Outros descreveram a fragrância associada à sua presença surgindo em momentos em que ele estava longe.

Dizia-se que ele lia os corações, conhecendo os pecados dos penitentes antes que os confessassem e afastando aqueles que vinham sem verdadeiro arrependimento. Histórias de curas e orações atendidas se multiplicavam. O próprio Padre Pio resistia à atenção que esses relatos traziam, insistindo que era apenas um pobre frade que rezava.

A Igreja tratou os relatos com cautela, e não com credulidade, examinando-os ao lado da prova comum de sua virtude. No fim, não foram os prodígios, mas a profundidade de sua caridade e obediência que levaram sua causa adiante.

Uma vida no confessionário

Apesar de todas as afirmações extraordinárias, o trabalho diário de Padre Pio era notavelmente comum em sua forma. Ele ouvia confissões. Fazia isso por horas todos os dias, às vezes até dezesseis, sentado no confessionário enquanto os peregrinos formavam fila desde antes do amanhecer.

Ao longo de sua vida, diz-se que ouviu milhões de confissões. Podia ser severo, recusando a absolvição a quem julgava despreparado, e terno com os que vinham quebrantados e sinceros. Pessoas viajavam de todas as partes do mundo para se ajoelhar diante dele, e muitas partiam dizendo que suas vidas haviam sido mudadas em uma única conversa.

Esse ministério foi o seu grande labor. Ele acreditava que o confessionário era onde as almas eram curadas, e a ele se entregou com a mesma perseverança que dedicava ao próprio sofrimento. Como São Charbel Makhlouf, o eremita libanês conhecido por atrair multidões por sua santidade oculta, Padre Pio compreendia que uma vida inteiramente dada a Deus fala mais alto do que qualquer sermão.

A Casa para o Alívio do Sofrimento

A compaixão de Padre Pio não era apenas espiritual. Ele se afligia pelos doentes e pobres que não tinham a quem recorrer, e sonhava em construir um lugar onde pudessem receber tanto cuidado médico quanto o conforto da fé.

Esse sonho tornou-se a Casa Sollievo della Sofferenza, a Casa para o Alívio do Sofrimento, um hospital em San Giovanni Rotondo que ele inaugurou em 5 de maio de 1956. Ele queria que fosse um lugar onde a medicina e a oração trabalhassem juntas, onde o paciente fosse tratado como uma pessoa por inteiro. Financiado por doações de seus devotos ao redor do mundo, cresceu até se tornar um dos principais hospitais da Itália e permanece um importante centro médico e de pesquisa até hoje.

"Levem Deus a todos os doentes. Isso os ajudará mais do que qualquer outro remédio."

Morte e canonização

No fim da década de 1960, sua saúde declinava. Num detalhe que muitos acharam impressionante, os estigmas que o haviam marcado por cinquenta anos começaram a se fechar e a cicatrizar em seus últimos meses, deixando sua pele sem cicatrizes.

Padre Pio faleceu em 23 de setembro de 1968, em San Giovanni Rotondo, aos oitenta e um anos. Suas últimas palavras foram os nomes de Jesus e Maria. Uma multidão imensa se reuniu para o seu funeral, prenúncio da devoção que só cresceria após a sua morte.

O Papa João Paulo II, que conhecia Padre Pio desde seus próprios anos de jovem sacerdote, conduziu sua causa. Foi declarado Venerável em 1997, beatificado em 2 de maio de 1999 e canonizado em 16 de junho de 2002, como São Pio de Pietrelcina. A Missa de canonização na Praça de São Pedro reuniu uma das maiores multidões da história do Vaticano. Sua festa é celebrada em 23 de setembro, dia de sua morte, e ele é honrado como padroeiro de San Giovanni Rotondo, dos voluntários da defesa civil e dos adolescentes.

Perguntas frequentes

Quem foi Padre Pio?

Padre Pio (1887 – 1968), nascido Francesco Forgione em Pietrelcina, na Itália, foi um frade capuchinho e sacerdote que carregou os estigmas visíveis por cinquenta anos. Conhecido por seu ministério no confessionário, pela bilocação relatada e por incontáveis milagres, ele fundou o hospital Casa Sollievo della Sofferenza e foi canonizado pelo Papa João Paulo II em 2002 como São Pio de Pietrelcina.

O que eram os estigmas de Padre Pio?

Os estigmas são chagas semelhantes às que Cristo sofreu em sua crucificação, aparecendo nas mãos, nos pés e no lado. Padre Pio recebeu estigmas permanentes e visíveis em 20 de setembro de 1918, enquanto rezava após a Missa em San Giovanni Rotondo. As chagas sangraram pelo resto de sua vida e foram examinadas por médicos e investigadores da Igreja ao longo de décadas. Só se fecharam pouco antes de sua morte, em 1968.

Quando Padre Pio foi canonizado?

Padre Pio foi beatificado em 2 de maio de 1999 e canonizado em 16 de junho de 2002, ambas as vezes pelo Papa João Paulo II. Sua canonização na Praça de São Pedro reuniu uma das maiores multidões da história do Vaticano. Hoje é venerado como São Pio de Pietrelcina, com festa em 23 de setembro.

De que Padre Pio é o santo padroeiro?

Padre Pio é o santo padroeiro de San Giovanni Rotondo, a cidade onde viveu e morreu, além dos voluntários da defesa civil e dos adolescentes. É amplamente invocado para alívio no sofrimento e para a graça de confiar em Deus nos tempos de angústia e doença.

O que Padre Pio queria dizer com "Reze, espere e não se preocupe"?

Esse era o conselho de Padre Pio às almas ansiosas que vinham até ele. Ele ensinava que a preocupação é energia desperdiçada e uma falta de confiança na providência de Deus. A oração abre o coração a Deus, a esperança o mantém fixo em sua bondade, e a preocupação apenas afasta de ambas. A frase tornou-se o resumo de toda a sua visão espiritual.

Veja também: São Charbel Makhlouf e Santa Rafqa, que, como Padre Pio, foram conhecidos por fenômenos extraordinários e pelo poder redentor do sofrimento. Reze a oração a São Charbel pela cura ou a novena a São Charbel, e explore o vasto mundo dos santos maronitas.

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