Tradições do Batismo Maronita

Na Igreja Católica Maronita, uma criança é batizada, crismada e, em algumas paróquias, recebe a Eucaristia em uma única liturgia. Não há espera pela idade da razão, nem cerimônia de Crisma separada anos depois. A criança entra plenamente na Igreja desde o primeiro dia. Essa é a prática antiga das Igrejas Orientais, preservada no rito maronita, e ela surpreende convidados católicos romanos habituados a outro ritmo.

Em torno do sacramento, a cultura libanesa envolveu seus próprios costumes: os nomes dados em homenagem aos avós, o ouro oferecido pela madrinha, as amêndoas confeitadas colocadas nas mãos de cada convidado. Este artigo trata do rito e da cultura separadamente, porque a distinção importa. O rito é universal maronita, imutável pela geografia. Os costumes viajam com a família e se adaptam ao país.

O rito batismal maronita

A liturgia segue uma estrutura moldada pela teologia da tradição siríaca antioquena. Seu ato central é a tríplice efusão de água em nome da Trindade. Mas o rito que a envolve é mais rico e elaborado do que a maioria dos batismos católicos romanos, e sua teologia dá forte ênfase ao Espírito Santo, à "veste de glória" recuperada no batismo e à plena iniciação da criança no Corpo de Cristo.

A entrada e a oração sobre a mãe e a criança

O rito começa à porta da igreja, onde o sacerdote recebe a família. Ele reza sobre a mãe e a criança, ecoando a Apresentação do Menino Jesus no Templo. A criança é levada para dentro da igreja como para uma vida nova.

As orações pré-batismais

Dentro da igreja, o sacerdote reza o Salmo 50 (o salmo de arrependimento), o Hoosoyo (oração de perdão) e o Etro (oração do incenso). Leituras de Tito 3,4-7 ("Ele nos salvou pelo banho da regeneração e da renovação no Espírito Santo") e de João 3,1-9 (Nicodemos e o novo nascimento) fixam a teologia. Segue-se uma homilia.

Renúncia e profissão de fé

A família e os padrinhos permanecem de pé para as orações dos catecúmenos. A criança, por meio dos padrinhos, renuncia a Satanás voltada para o oeste, direção das trevas. Depois, voltando-se para o leste, direção do sol nascente e de Cristo, a criança professa a fé. O Credo é recitado. Esse simbolismo direcional, oeste para as trevas, leste para a luz, é uma prática siríaca antiga que precede qualquer paralelo ocidental.

Consagração da água

O sacerdote reza a Anáfora da Água Batismal, faz o Sinal da Cruz três vezes sobre a fonte e sopra sobre a água em forma de cruz, invocando três vezes o Espírito Santo. A oração pede que a água se torne "um seio espiritual". Em seguida, o sacerdote mistura o Crisma na água três vezes. A fonte é preparada não apenas para lavar, mas para dar à luz.

Batismo

O sacerdote derrama água sobre a testa da criança três vezes, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Historicamente, o rito maronita usava a imersão tripla; hoje, a efusão (o derramamento) é o padrão. Ambos os métodos são considerados válidos.

A veste branca

A criança é revestida de branco. A teologia é específica: a veste representa a "veste de glória" perdida no primeiro pecado da humanidade e recuperada pelo batismo. Um véu é colocado sobre a cabeça da criança e um cordão pequeno em torno da cintura, sinais da glória recebida da Trindade.

Crismação (Crisma)

Imediatamente após o batismo, o sacerdote unge a criança com o Myron, o Santo Crisma consagrado pelo Patriarca Maronita na Quinta-feira Santa. A unção cobre a testa, os olhos, o nariz, as orelhas, os lábios, o peito, as costas, as mãos e os pés. A fórmula em cada unção:

N., servo de Deus, é selado em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.

O Myron é descrito no rito maronita como "o selo indelével, um escudo de fé e um capacete temível contra todas as obras do adversário". A Crismação não é repetida. A criança é crismada no mesmo dia em que é batizada. Na Igreja Maronita e em todas as Igrejas Católicas Orientais, o sacerdote realiza a crismação (e não o bispo), porque a autoridade do bispo é significada pelo Crisma previamente consagrado.

Comunhão infantil

Na antiga prática oriental, a criança recebe a Eucaristia na mesma liturgia, completando os três sacramentos da iniciação: Batismo, Crismação e Comunhão, todos de uma vez. O bebê recebe a Eucaristia na forma de uma gota do Precioso Sangue. A prática varia entre as eparquias maronitas. Algumas paróquias administram os três sacramentos juntos; outras adiam a primeira Comunhão para uma idade mais avançada. Os pais devem confirmar com o pároco.

A vela e a procissão

Uma vela acesa é entregue aos padrinhos, simbolizando a luz de Cristo recebida no batismo. O sacerdote conduz a família e os padrinhos em procissão ao redor da fonte, e a liturgia se encerra com uma bênção.

Os padrinhos: Ishbeen e Ishbeena

O padrinho (ishbeen) e a madrinha (ishbeena) não são títulos honorários. São testemunhas e guardiões espirituais, que se comprometem diante da Igreja a apoiar a criança na fé. No rito maronita, seguram a criança durante partes da cerimônia e falam a renúncia a Satanás e a profissão de fé em nome dela.

Pelo menos um dos padrinhos deve ser um católico maronita praticante. Ambos precisam ter no mínimo dezoito anos e não podem ser os pais da criança. A madrinha, tradicionalmente, fornece as roupas brancas do batismo. Na cultura libanesa, o vínculo entre padrinhos e afilhado é levado a sério, muitas vezes durando a vida inteira.

Costumes libaneses do batismo

Em torno do rito, as famílias libanesas observam costumes compartilhados por toda a comunidade, cristã e muçulmana. São culturais, não litúrgicos.

Nomeação

Os cristãos libaneses costumam dar aos filhos nomes de santos: Butros (Pedro), Maryam (Maria), Elias, Jirjis (Jorge), Charbel, Rafqa. O primeiro filho é tradicionalmente batizado com o nome do avô paterno; o segundo, com o do avô materno. Nomes franceses são comuns entre os maronitas, herança do Mandato Francês e da tradição francófona profunda da comunidade. No Brasil, muitos filhos de imigrantes libaneses ganham nomes tanto libaneses quanto portugueses, unindo as duas culturas.

Presentes e ouro

Os convidados trazem presentes: colares com cruzes de ouro, pulseiras, dinheiro ou roupas. O ouro é o presente tradicional da madrinha e dos parentes próximos. A criança usa o ouro da família na celebração posterior.

Amêndoas confeitadas

Cinco amêndoas confeitadas, envoltas em tule e fita, são entregues a cada convidado como lembrança. As cinco amêndoas simbolizam saúde, riqueza, felicidade, fecundidade e longa vida. Rosa para meninas, azul para meninos. A contagem é sempre ímpar, porque números ímpares não podem ser divididos, simbolizando a unidade da nova família.

A celebração

As celebrações libanesas de batismo podem ser suntuosas. Um banquete segue a liturgia, às vezes em um salão, às vezes em casa. Mezze, doces, arak e a reunião da família estendida são constantes. A ocasião é tratada como um verdadeiro começo: a entrada da criança na comunidade de fé e na comunidade da família.

Diferenças em relação ao batismo católico romano

Um convidado católico romano em um batismo maronita notará várias diferenças.

Três sacramentos de uma vez. A diferença mais significativa. A criança maronita é batizada, crismada e (em algumas paróquias) recebe a Comunhão em uma única liturgia. O rito romano separa esses sacramentos por anos.

Crismação pelo sacerdote. No rito romano, a Crisma é administrada pelo bispo, normalmente quando a criança já está mais velha. No rito maronita, o sacerdote crisma o bebê logo após o batismo, com a autoridade do Patriarca transmitida pelo Myron consagrado.

Simbolismo direcional. A renúncia a Satanás voltada para o oeste e a profissão de fé voltada para o leste são práticas siríacas antigas que não aparecem no rito romano padrão.

Orações em siríaco. A liturgia inclui orações em siríaco, descendente litúrgico do aramaico que Jesus falou.

A teologia da "veste de glória". A veste branca não é apenas símbolo de pureza. Representa a recuperação da glória que a humanidade perdeu na Queda, teologia mais destacada na tradição siríaca do que no Ocidente latino.

Preparando-se para um batismo maronita

Os pais devem procurar a paróquia maronita pelo menos dois meses antes da data prevista para o batismo. A maioria das paróquias exige uma reunião de preparação com o sacerdote, a certidão de nascimento da criança e os nomes e dados dos padrinhos. Se os pais são de ritos diferentes (por exemplo, um maronita e um católico romano), a criança pode ser batizada em qualquer um dos ritos; o sacerdote orientará o processo.

Perguntas frequentes

O batismo maronita é diferente do batismo católico romano?

Sim. O rito maronita administra o Batismo e a Crisma juntos, mesmo em bebês. A criança é ungida com Myron consagrado pelo Patriarca e, em algumas paróquias, recebe também a Eucaristia. A liturgia inclui orações em siríaco e simbolismo direcional (oeste para Satanás, leste para Cristo). A prática católica romana separa o Batismo da Crisma por anos.

Os bebês maronitas recebem a Comunhão no batismo?

Na tradição católica oriental, os bebês recebem os três sacramentos da iniciação juntos. A prática varia por eparquia. Algumas paróquias maronitas dão a Eucaristia na forma do Precioso Sangue durante a liturgia batismal; outras adiam a primeira Comunhão. Os pais devem confirmar com o sacerdote.

O que é a Crismação?

O sacramento maronita da Crisma, administrado imediatamente após o Batismo pelo sacerdote, usando o Myron consagrado pelo Patriarca na Quinta-feira Santa. O sacerdote unge a criança em várias partes do corpo, selando-a em nome da Trindade. A Crismação não é repetida mais tarde na vida.

O que fazem os padrinhos em um batismo maronita?

Atuam como testemunhas e guardiões espirituais. Seguram a criança, falam a renúncia e a profissão de fé e se comprometem a apoiar a criança na fé. Pelo menos um deles deve ser católico maronita praticante. A madrinha, tradicionalmente, fornece as roupas brancas.

Para que serve a veste branca?

Na teologia maronita, ela representa a "veste de glória" perdida no primeiro pecado da humanidade e recuperada pelo batismo. A criança é revestida de branco como sinal da graça que acaba de receber.

Veja também: Tradições Matrimoniais Maronitas. A Tradição Maronita. O Calendário Litúrgico Maronita. São Maron. O Cristianismo Oriental.

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